No feriado de Corpus Christi resolvemos pegar estrada, destino: Ouro Preto, cidade histórica da nossa amada Minas Gerais. Vem ver nesse post o que você pode fazer em um feriado prolongado neste lugar maravilhoso.

Pegamos estrada rumo a Ouro Preto às 6:00 hora da manhã. Iriamos percorrer 6 horas de viagem sentido MG 111, passando por Ponte Nova até chegar ao destino final, ou seja, de Baixo Guandu/Aimorés até lá seriam em torno de 376 kms.

Hospedagem em Ouro Preto

Ficamos hospedados em Ouro Preto na pousada Vila Rica. Tínhamos já reservado pelo Booking um mês antes e foi uma boa escolha.

A pousada tem estacionamento bem espaçoso que fica na sua parte de trás, o café da manhã é muito gostoso, os funcionários foram muito atenciosos, principalmente os donos, o Aldo e o irmão dele (não me recordo o nome dele).

Os dois irmãos são nascidos e criados em Ouro Preto e sabem tudo sobre a cidade, portanto, ficávamos sempre batendo um papo com eles para saber um pouco mais sobre a história do lugar.

O prédio da pousada em si já é a história da cidade. São três casarões que após algumas reformas, se tornaram um só e algumas décadas depois se transformou na pousada.

A fachada é linda, com azulejos portugueses originais desde sua construção, desta forma, alguns estão com o desenho um pouco apagado e outros se soltaram, mas a beleza da entrada da pousada permanece, combinada com suas portas e janelas azuis.

Os quartos do lugar são bem simples, logo, se for se hospedar ali não espere luxo. O preço é muito bom, estava entre os mais baratos da cidade no período, além da localização ser muito cômoda: bastava subir o morro e já estávamos na praça Tiradentes.

Fachada da Pousada Vila Rica em Ouro Preto

Um lugar para comer

Fizemos o nosso check-in e saímos para comer alguma coisa. Este foi um certo problema. Tudo bem, realmente chegamos bem tarde na cidade, porém parece que a mesma não se prepara para receber o turista.

Todos os dias milhares de turistas estão no local para visitação e em um feriado o número é ainda maior e os restaurantes não tem comida suficiente. Conseguimos encontrar um restaurante ali perto que tinha também churrasco e entramos.

Não foi bom. A comida estava no fim, chegamos e pegamos a última colher de macarrão, o último pedaço de carne de churrasco e havia ainda muita gente para almoçar. Gente que, como nós, deve ter viajado muito para chegar na cidade.

Saímos do almoço querendo ir direto para a pousada descansar um pouco, mas logo vimos a entrada do guichê da Vale para a compra do passeio do trem até Mariana. Queríamos muito fazer o passeio e como sabíamos que em épocas como os feriados os ingressos acabavam rápido compramos de uma vez.

Comprando ingressos para o passeio de trem Ouro Preto-Mariana

Você pode adiantar e comprar os seus ingressos no site da Vale, mas preferimos comprar quando chegássemos em Ouro Preto.

O passeio pode ser feito no carro convencional ou no carro panorâmico. Claro, a diferença no preço da passagem pode ser um dos principais fatores para escolher em qual carro você quer ir.

No carro convencional o ingresso custa R$ 50,00 só a ida, ida e volta custam R$ 70,00. Já no panorâmico é R$ 76,00 a ida e R$ 100,00 ida e volta. Esses são os preços para a alta temporada. Porém não dá para dizer que na baixa temporada eles sejam muito diferentes disso.

Optamos pelo carro convencional, ida e volta. Estudantes pagam meia entrada e empregados da Vale não pagam. Tem gente que prefere economizar e ir de trem e voltar de ônibus convencional ou vice versa.

Feira de pedra sabão

Ingressos comprados partimos para… para darmos uma olhada na feira de pedra sabão de Ouro Preto. Antes de sairmos para a viagem já tinha alertado o Léo sobre o perigo desse lugar, você começa caminhar entre as barracas e quando vê já está cheio de sacolas na mão.

A feira não é muito grande e fica localizada na praça de São Francisco, ao lado da igreja de São Francisco e tem todo o artesanato possível de ser fabricado com pedra sabão.

Ou seja, antes de comprar qualquer coisa de pedra em alguma loja da cidade, primeiro confira o preço na feira que costuma ser mais barato e ainda dá para pechinchar.

Resultado, o Léo ficou enlouquecido com a feira e já saiu dali com algumas sacolas.

Feira de artesanato em pedra sabão ao lado da igreja de São Francisco

Caminhando por Ouro Preto à noite 

Com a chegada da noite fomos comer alguma coisa, porém, o processo para isso foi longo porque além de ser legal de dia, Ouro Preto é uma cidade diferente a noite também.

Passamos pela praça Tiradentes, descemos a Rua Conde de Bodadela e depois seguimos até o Museu dos Contos e depois um pouco mais a frente. No fim dessa jornada fomos comer um sanduiche no Subway mesmo, que era algo mais rápido e estávamos com bastante fome.

As ruas de Ouro Preto, Um passeio imperdível tanto de dia quanto à noite

Ainda nesta rua, depois de mais alguma caminhada entramos em um bar chamado Porão. A entrada nos chamou atenção por ser bem estreita ter as paredes cobertas com painéis de cervejas.

Decidimos entrar e descobrimos o porquê do nome. Realmente o bar mesmo situa-se na área térrea, no porão. O ambiente é bem agradável, toca um Rock n’ Roll bem legal. Tomamos só uma cerveja e saímos.

A entrada do Porão

Museu da Inconfidência

Na sexta-feira nosso itinerário era somente fazer o Museu da Inconfidência pela manhã mas, no caminho, ao lado da feira de pedra sabão vimos uma placa indicando: Casa de Tomás Antônio Gonzaga. Entramos!

Esta era a casa do poeta inconfidente, onde eram realizadas reuniões sobre o movimento. Atualmente ali ficam algumas artesãs expondo seus trabalhos manuais e o visitante pode percorrer toda a residência.

Chegando nas janelas ainda pode-se ter uma vista muito bonita da Feira, da Igreja de São Francisco e das casas antigas de Ouro Preto.

Interior da casa de Tomás Antônio Gonzaga
Vista pela sacada da casa de Tomás Antônio Gonzaga

Seguimos caminho para o Museu da Inconfidência. Como era feriado, claro, estava cheio. Paguei R$ 10,00 para entrar e o Léo pagou meia entrada com a carteira de estudante dele. Depois tivemos que esperar na fila para entrar.

Mas vale muito a pena. O museu é muito legal e tem muito da história de Ouro Preto. O prédio em si já é muito bonito, com portas, janelas e paredes muito grossas, uma construção linda.

Tentando almoçar em Ouro Preto, de novo!

Saindo do museu fomos tentar almoçar. Dessa vez escolhemos o restaurante Tiradentes, muito mencionado nos blogs e relatos de viagens à cidade e fica logo na rua ao lado do Museu da Inconfidência, na Amália Bernhaus.

O restaurante é uma portinha com fila para entrar. Na porta fica alguém controlando quem entra e quem sai e te fala: preço fixo e come o quanto quiser. Porém, não é bem assim. Não é o quanto quiser, é o quanto tiver na panela para você se servir.

Com tanta gente para comer não tinha comida pronta para suprir a demanda. Ficamos ali em volta do fogão a lenha um bom tempo esperando até que chegou alguém e colocou uns cinco pedaços de frango. Só! A única carne que tinha. Algumas pessoas continuaram ali esperando a carne de porco e nós nos servimos com o que deu e fomos nos sentar.

São muitas mesas e cadeiras em um espaço bem pequeno, logo, fica tudo bem apertado e muito quente. Sendo assim, pagamos R$ 15,00 e não compensou. Preferiria ter pagado um pouco mais e ter comido algo melhor.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Saímos dali e fomos até a igreja de Nossa Senhora do Carmo, bem ao lado do Museu da Inconfidência a entrada para a igreja é de R$ 3,00. A igreja é muito bonita e parece ser uma das mais visitadas, talvez por ser muito acessível e estar situada na praça Tiradentes.

Diferentemente de muita gente eu e o Léo não fomos para Ouro Preto para entrar em todas as igrejas da cidade. Não é o tipo de atração que nos chama atenção, por isso, escolhemos uma que estivesse aberta para ir.

Apesar de não ser algo que gostamos de visitar a ida à essa igreja vale muito a pena. Ir até atrás da sacristia e ver como eram feitos os entalhes das imagens, a vista das janelas. Eu iria de novo!

Igreja de Nossa Senhora do Carmo

Museu dos Oratórios

Logo depois fomos ao museu dos Oratórios, bem ao lado da igreja. Este museu foi surpreendente. A entrada custa R$ 5,00, mas é grátis para quem tem carteira de estudante. Para circular por ele existe a possibilidade de passeio auto-guiado com tablet. É ótimo!

É possível ver oratórios de diversos tamanhos e tipos. Eu não sabia que havia oratórios para todo o tipo: pequenos para viajantes, enormes para casa, entre outros.

Museu dos Oratórios

Museu dos Contos

Saímos dali já bem tarde e corremos para o museu dos Contos para pegar ele ainda aberto. A entrada dele é grátis! Talvez por isso estivesse muito cheio. O museu tem muitas peças que vimos no museu da Inconfidência, mas neste último era mais organizado, mesmo assim é um passeio bem legal.

Como fomos para lá já quase no horário de fechar tivemos que ir correndo ver a área da senzala, o espaço mais procurado pelos visitantes.

Tente ir ao Museu dos Contos com mais calma. Ele é muito bom e você pode aprender muito se tiver tempo para olhar todos os detalhes. Além das peças da época é possível ver como foi a revolução da moeda no Brasil.

Logo ali perto do museu dos Contos está o Cine Teatro Vila Rica de Ouro Preto/UFOP. Por acaso, resolvemos ver que filme estaria passando e fomos surpreendidos com uma sessão de cinema grátis da UFOP.

Fomos informados que sempre rola alguma coisa por ali promovida pela Universidade, desta forma, seria bom dá uma conferida no cinema para ver se tem algo legal para fazer, e o melhor, grátis.

Indo de trem até Mariana

No sábado fomos fazer o passeio de trem de Ouro Preto até Mariana. Fomos a pé mesmo para a estação ferroviária. A caminhada é bem tranquila se você estiver no centro histórico!

Chegando lá vimos uma fila enorme e algumas pessoas tentando comprar ingressos, mas já tinham acabado. Nos feriados o passeio de trem realmente fica lotado!

Enquanto estávamos esperando vimos uma moça chegar com a família e reclamar muito sobre os ingressos. Ela dizia que tinha comprado eles pela internet havia muito tempo justamente para assegurar um lugar do lado direito do trem para Mariana, que é aquele com a melhor vista.

No entanto, os ingressos somente asseguram o embarque, eles não vem numerados. A mulher ficou irritadíssima mas teve que se contentar! Sendo assim, se você quiser pegar um lugar no lado direito do trem chegue cedo! Como não chegamos tão cedo tivemos que nos sentar no lado esquerdo.

Para falar a verdade o passeio de trem não me encheu os olhos. Para quem andou de trem a vida toda pela EFVM não achei nada demais.

A viagem de ida para Belo Horizonte tem paisagens muito mais bonitas. Por outro lado, o Léo adorou passar por um túnel pela primeira vez. Talvez para quem nunca tenha andado de trem na vida o passeio compense.

Em frente ao trem em Ouro Preto ainda

A cidade de Mariana

Chegamos a Mariana e vimos uma cidade normal. Lá descobrimos que, para chegarmos à parte histórica, teríamos que subir um morro onde tudo fica concentrado. Por ali fomos até o CAT, pegamos um mapa e algumas informações. Como já era tarde decidimos procurar um local para almoçar.

Escolhemos o restaurante bem ali na praça da cidade, o Casarão. Nele podíamos pagar um valor fixo (R$ 18,00) e comermos o quanto quiséssemos e pela primeira vez naquele feriado almoçamos muito bem. Uma comida mineira de verdade, com sobremesas, em um local muito bacana.

Dali já subimos a rua e chegamos na praça Minas Gerais onde ficam as igrejas de São Francisco de Assis e de Nossa Senhora do Carmo, o Pelourinho, a Câmara e a antiga cadeia.

O bom é que dá para visitar isso tudo sem se deslocar muito, já que fica no mesmo lugar. A cadeia e a antiga Câmara não cobram ingressos, muito bom!

Continuamos e chegamos até a Basílica de São Pedro dos Clérigos e depois seguimos para o museu da Música. Este museu é um pouco longe, mas foi algo bem diferente em meio às construções históricas que vimos.

Optamos por ir até lá porque, como mencionado anteriormente, a arte-sacra não é algo que nos chame muito a atenção e por isso, não fomos ao museu de Arte Sacra que é muito famoso em Mariana.

O museu da Música ainda é muito simples, porém, gostamos muito do que vimos. Foi uma boa oportunidade de ouvir música sacra antiga e ver alguns instrumentos bem antigos e a entrada é franca.

Museu da Música em Mariana

Saímos de lá exaustos e seguimos para a praça central e depois para o trem.

De volta a Ouro Preto

Quando chegamos a Ouro Preto resolvemos fazer um caminho para a nossa pousada diferente daquele da ida para a estação e eis que… nos perdemos! Ficamos ali perambulando por algumas ruas da cidade e descobrindo as coisas que a mesma tem a oferecer.

Aliás, se perder pelas ruas históricas de Ouro Preto tanto de dia quanto a noite é um dos melhores programas da cidade.

Chegamos até o mirante no Morro da Forca onde vimos o pôr-do-sol e seguimos até a feira de artesanato, e, claro, vieram mais sacolas em uma passagem rápida por ela.

Pôr-do-Sol em Ouro Preto do Morro da Forca

Mais a noite saímos em busca de um lugar legal para comer e nos despedir de Ouro Preto. A escolha não podia ter sido melhor: o restaurante do Hotel Toffolo.

Havíamos passado por ali na noite de quinta-feira e tínhamos reparado que o lugar era bonito e antigo, mas estava vazio. Lá dentro havia uma senhora e uma outra pessoa sozinhas, já em vias de fechar. No sábado a noite havia uma ou duas mesas ocupadas e resolvemos entrar.

A agradável surpresa foi que a comida era maravilhosa, o preço era bom, o lugar lindo e os donos, muito simpáticos, nos atenderam e compartilharam com a gente muitas histórias antigas e curiosas daquele que era o primeiro Hotel e bar da cidade de Ouro Preto. Uma delas era sobre a presença de vários ilustres brasileiros como Carlos Drummond de Andrade ali no restaurante.

Infelizmente tivemos que nos despedir da cidade na manhã de domingo.

Todo mundo conhece um pouco de Ouro Preto, seja pelos livros de história ou pelos programas de TV. Talvez por isso tanta gente goste da cidade e se sinta tão íntimo dela e foi exatamente assim que nos sentimos.

Os prédios e ruas históricas, as pessoas do lugar e o artesanato de pedra sabão encantam todos os turistas que passam por ali. Com a gente não foi diferente: Amamos Ouro Preto e voltaríamos lá mais algumas vezes.


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