Já ouviu falar do Pico da Bandeira? Ele fica no Parque Nacional do Caparaó. Um dos mais visitados de Minas Gerais e Espírito Santo. Muita gente sobe lá todo ano para ver o nascer do sol lá de cima. Leia esse post e veja como é essa experiência!

O Pico da Bandeira é o terceiro ponto mais alto do Brasil e está situado entre Minas Gerais e Espírito Santo, podendo ser percorrido tanto por um estado quanto pelo outro.

Há quem diga que a subida mineira é mais suave e que a subida capixaba é mais bonita. Porém, acredito que qualquer que seja a escolha dos viajeros propensos a encararem o desafio de subir o pico, com seus mais de 2.890 metros, a aventura será recompensadora.

A viagem até o Parque Nacional do Caparaó

Em abril de 2017, após voltarmos da Chapada dos Veadeiros surgiu uma oportunidade de ir para o Parque Nacional do Caparaó, que em nossa região sempre referimos como o Pico da Bandeira.

Uma amiga nossa descolou um grupo que sairia de Vitória e ia para lá pela entrada mineira. Estavam inclusos os guias, almoço, transportes até o parque e o precinho era bacana, então nos incluímos nele.

Fomos no feriado da semana santa, na sexta de manhã. Seguimos viagem por nossa conta, já que o grupo sairia de Vitória e o caminho não nos favorecia. Saímos de Baixo Guandu no Espírito Santo e seguimos até Manhuaçu, em Minas Gerais, e de lá até Alto Caparaó.

Nesta cidade o grupo estaria nos esperando para subirmos até o parque de Jipe, assim como era feito nos tempos passados. Hoje em dia você pode ir com seu carro para lá ou alugar o transporte com os “jipeiros” que ficam ali na praça central da cidade.

Apesar da possibilidade de usar carro próprio para chegar ao parque se o tempo estiver chuvoso ou se já tiver chovendo na região a algum tempo seria bom reconsiderar a decisão de subir de Jipe. Vimos alguns motoristas passando aperto para subir com carros pouco potentes e começando a deslizar pela estrada escorregadia, chegando até a quase causar acidentes.

Acampamento na Tronqueira

Chegamos de manhãzinha no Parque do Caparaó e iríamos acampar na Tronqueira. Na época não estava sendo permitido acampar no Terreirão.

O local vinha sendo usado somente como área de apoio para as pessoas que iam subir o Pico e precisavam usar os sanitários ou beber água. Atualmente parece que já é permitido acampar ali, no site do ICMBIO não encontrei informação mencionando a proibição.

Muita gente gosta de ficar no Terreirão porque já adianta o caminho para a caminhada até o Pico da Bandeira é possível sair mais tarde para a trilha. Afinal o terreirão fica a 3,7 Km da Tronqueira.

Mas pensa, andar 3,7 kms carregando barraca e todo o material que você precisa para acampar, não é mole não!

Para acampar no parque do Caparaó é necessário realizar contato com os responsáveis e fazer reserva devido ao limite máximo de pessoas que são permitidas e que cada local de acampamento comporta.

Segundo o site do ICMBIO é necessário somente enviar um e-mail para o endereço [email protected] Mais informações sobre como funciona o parque e as reservas você pode saber em https://www.icmbio.gov.br/parnacaparao/guia-do-visitante.html 

Quando estivemos lá o parque estava passando por um momento ruim, com falta de recursos e de funcionários, sendo assim encontramos um local com aspecto bem abandonado, com ausência de lixeiras, papel nos banheiros e até funcionários.

Um senhor nos falou que atualmente o ICMBIO já fez contratações e o parque está mais bem cuidado, no entanto, recomendo levar sacos de lixos e papel higiênico, porque se você for para lá em feriado com certeza vai acabar, o número de pessoas que vai até o local é impressionante!

No momento diz-se no site que a cobrança de ingressos no parque está suspensa, portanto, aproveite o momento free e dá uma conferida por lá.

Ao chegamos na área da Tronqueira fomos montar a nossa barraca. Tentamos escolher um lugar onde a água não empossasse muito se chovesse, mas como já tinha muita gente instalada ali não deu muito certo.

Porém, se você chegar mais cedo, pense nisso! Algumas meninas ficaram com a barraca alagada porque choveu muito. Sendo assim elas tiveram que dormir em outras barracas.

Acampamento na Tronqueira (cobrimos nossa barraca com lonas)

A cachoeira Bonita

Nosso almoço chegou e depois fomos até a cachoeira Bonita, uma caminhada rápida da região da Tronqueira, bem fácil de chegar.

Não entramos na cachoeira para tomar banho, porém, muita gente teve essa coragem. A água é realmente muito gelada, mais do que aquela que estávamos acostumados nas cachoeiras de Minas.

Ficamos ali só admirando a cachoeira que é bem bonita mesmo. 

Cachoeira Bonita

Como tomar banho nesse lugar? Eis a questão!

Aqui vale uma dica: tome banho o mais cedo que puder. Não tem energia no parque, os banheiros ficam escuros (é super necessário levar lanterna) e a água é gelada e sai em quantidade muito pequena, só um filete mesmo no chuveiro.

Por tudo isso tomar banho é um desafio e lavar o cabelo outro desafio maior ainda. Tem gente que prefere não encarar e ficar sem tomar banho mesmo, o que nem é tão difícil porque suar ali naquele lugar é quase impossível.

Estivemos lá em abril e já estava um frio muito grande. Ou seja, em qualquer época do ano que você queira ir leve muitos casacos porque é frio mesmo.

O Vale Encantado

No sábado seria a nossa subida para o Pico da Bandeira. De manhã fomos até o Vale Encantado, formado por diversas corredeiras que criam algumas piscinas através das crateras entre as rochas. Muito bonito mesmo.

O único problema do lugar é que, a cachoeira Bonita já era fria, no vale a água estava pior, visto que fica a montante da cachoeira Bonita e o tempo estava nublado, o que  para dificultava ainda mais. Dessa forma, foram poucos os encorajados a tomar um banho por ali.

O Léo não teve muita sorte! Com os chuviscos as pedras ficaram muito escorregadias e ele acabou caindo por acidente em uma das crateras formadas. Desse jeito foi obrigado a tomar um banho nas águas super geladas, como ele mesmo disse: Bemmmmm geladas!

Tome cuidado com o calçado que vai usar ao andar pelo Vale Encantado e por outras cachoeiras do Parque. A névoa sempre está por perto e vai deixando as superfícies molhadas e escorregadias. O Léo tomou um tombo daqueles, poderia ter se machucado feio, mas por sorte, caiu dentro d’água. 

Vale Encantado em tempo nublado
Vale Encantado em tempo nublado

Almoço no Parque do Caparaó

Tivemos um problema no almoço nesse dia. Uma funcionária do parque que estava por ali nos impediu de receber nosso almoço que vinha da cidade em marmitas. Segundo a mesma configurava venda de produtos dentro o parque, o que não é permitido.

Então tivemos que descer e almoçar no restaurante. Ou seja, lá dentro você pode fazer o seu almoço, levar coisas para comer, mas, não pode pedir que levem algo para você.

Subida para o Pico da Bandeira

No sábado a tarde fez muito frio e começou a chover, muito. Por pouco não subimos o pico da Bandeira naquele dia e teríamos que deixar para outra viagem. O líder do grupo chegou até a fazer o plano de que se não parasse de chover iríamos dormir e acordar de madrugada para ver o nascer do sol no Terreirão.

Porém o plano inicial foi mantido porque quase 11:00 horas da noite a chuva parou, nos preparamos e começamos a subir.

Não pegamos chuva no caminho. A subida foi relativamente bem tranquila, com muitas paradas para esperar todos do grupo se juntarem. Esse é um dos problemas de ir em grupos grandes: você precisa ir seguindo o ritmo do mais lento.

No caminho não fez frio mas foi só chegarmos lá em cima que sentimos um vento cortante, um frio extremo. O Léo quase morreu! Pegou todos os casacos que ele tinha, se enrolou do jeito que pôde, deitou ali no lugarzinho que a gente arrumou e nem se mexeu, parecia congelado.

Depois de pelo menos uma meia hora que o sol apareceu começou a dar um calorzinho e ficou agradável. Mas a visão do sol nascendo foi muito bonita. Valeu muito a pena toda a subida.

Podemos dizer que tivemos sorte porque amigos nossos que foram numa vez anterior não viram nada de tão nublado e chuvoso que estava o lugar.

Grupo reunido no Pico da Bandeira à espera do nascer do Sol
Os primeiros raios de Sol vistos do Pico da Bandeira
Sol nascendo no horizonte
Casal Viajero assistindo o nascer do Sol no Pico da Bandeira

Depois de toda a subida em torno de 07:00 horas começamos a descer. Ai sim foi puxado! Dói bastante o joelho!

No caminho de volta do pico da Bandeira percebemos como a sinalização do parque é precária. Existem setas em algumas partes do caminho, mesmo assim, sem a manutenção necessária algumas ficaram difíceis de ver.

Em certo momento estávamos descendo e seguimos um caminho errado. Logo vimos um dos guias do grupo seguindo outro caminho e voltamos. Mas as trilhas são muito iguais, bem fácil de se perder. Aliás, todo ano existem notícias de pessoas que se perderam no parque.

Quando chegamos ao acampamento estávamos destruídos. Apesar de não termos achado a trilha difícil ela foi a mais cansativa que fizemos por ser necessário caminhar por toda a madrugada, ou seja, umas 5, 6 horas, e depois descer tudo de novo sem descanso.

Pelo menos a descida durou somente umas 2 horas!

Depois disso tudo ainda tivemos que voltar para casa, isso tudo sem dormir.

Tem gente que vai para lá no sábado de manhã, deixa o carro no estacionamento, sobe a noite e no domingo desce tudo de novo e ainda tem que ir para casa. Uma batida bem cansativa mas é válida.

Nesse passeio ao Pico da Bandeira achamos muito importante a presença dos guias. Seria extremamente difícil achar o caminho a noite sem eles, visto que durante o caminho de volta em plena luz do dia encontramos algumas dificuldades.

Enfim, saímos de lá com a sensação de dever cumprido!


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