Apesar de ser uma cidade bem pequena, no Sul de Minas Gerais, Itamonte tem muito o que fazer. Nós ficamos somente 4 dias inteiros por lá e não conseguimos fazer metade das coisas que a gente queria.

E se valeu a pena o nosso passeio? Demais! A sensação de querer voltar é imensa! Neste post você tem algumas dicas sobre o que fazer em Itamonte.

Você também pode acessar pelos links:

Se você quiser saber outros detalhes da nossa viagem para Itamonte acesse o nosso post sobre quando ir, onde ficar e onde comer

1º dia: Passeio pelo Bairro Engenho da Serra

A princípio nossa primeira ideia de passeio em Itamonte era fazer a volta dos 80 (conhecida volta dos 80 kms que passa pelos bairros rurais) mas resolvemos mudar os nossos planos.

Em nosso primeiro dia na cidade resolvemos andar pelas trilhas da hospedagem em que estávamos. Segundo a própria dona ali tinha várias trilhas, uma cachoeira e um poção formado pelo rio que passava por ali. Sendo assim, achamos que seria legal fazer isso.

Ficamos de avaliar onde a gente poderia ir com o nosso carro primeiro, um Yaris sedan 1.5, que não é tão apropriado assim para estradas rurais.

O passeio pelas trilhas foi bem rápido. Para quem está acostumado com trilhas mais longas, como a gente, o que a nossa hospedagem tinha não era lá grandes coisas: uma cachoeira pequena, a trilha sem manutenção e o rio estava bem cheio e a água muito gelada.

Depois do almoço resolvemos dar um passeio a pé pelo bairro Engenho da Serra, o que foi uma boa decisão. Nós adoramos passear por lá. Este é considerado um dos bairros mais bonitos de Itamonte. Foi ali que a princesa Izabel se hospedou quando foi a região se curar da anemia utilizando as águas da cidade.

A casa onde ela se hospedou está lá até hoje e segundo alguns sites é aberta a visitação, porém, quando estivemos lá estava fechada, talvez por causa da pandemia. Mas só de passar em frente e ver a linda construção já vale a pena.

É nesse bairro também que fica a entrada da trilha para a pedra do Picu, um dos símbolos de Itamonte. Fomos informados por uma moradora muito simpática, que viu nossa cara de perdidos e que parou para nos ajudar, que a entrada da trilha tinha sido modificada.

A entrada anterior passava pelo terreno de um morador e o mesmo pediu para os órgãos ambientais da cidade para modificá-la e assim foi atendido. E sim, o portão agora fica trancado com cadeado.

A senhora nos informou que a entrada da trilha fica próxima a fábrica de água mineral Engenho da Serra. De qualquer forma não a encontramos.

Depois ficamos sabendo que devido às muitas chuvas que haviam caído em Itamonte por aqueles dias a trilha estava muito escorregadia e que era melhor ir com um guia. Acho que seria mesmo.

Lá na região o pessoal do Hostel Picus sempre faz algumas incursões à pedra do Picu e tem também o pessoal da Itahigh que faz guiamento para lá. Vou falar sobre a Itahigh um pouco mais a frente.

A senhora também nos avisou sobre uma cachoeira ali no bairro, bem pertinho na estrada. E era isso mesmo. Na estrada principal, era só seguir alguns metros. Inclusive, mais a frente vimos a indicação desta cachoeira no bairro. Se você continuar seguindo pela estrada chega no poção da cachoeira.

Nos contaram que ali na cachoeira, por uma trilhazinha fácil conseguíamos chegar em cima dela. Mas não vimos. Talvez era isso mesmo, só seguir pela estrada.

Itamonte
Entrada do bairro Engenho da Serra. Chegamos no bairro num ponto um pouco mais a frente. É um lugar lindo. A plaquinha com a indicação da cachoeira logo ali na frente.
Bairro Engenho da Serra
Realmente é um dos bairros mais bonitos de Itamonte.

2° dia: Visita a Alagoa e a Cachoeira da Fragária

Nosso segundo dia de passeio era uma terça-feira e nesse dia iríamos ao Instituto Alto Montana, porém, neste dia estava fechado para visitação. Tivemos que mudar nossa ideia e resolvemos ir até a cachoeira da Fragária, que é a mais famosa da cidade.

A Fragária fica no bairro Campo Redondo, a 30 kms do centro de Itamonte, sendo que boa parte desse caminho é feito em estrada de chão. Nosso carrinho deu conta, mas ficamos com medo de não conseguir voltar se chovesse.

Avistamos a Fragária da estrada, bem bonita mesmo, mas não conseguimos ver como chegar. Vi em vários blogs que as pessoas entram pelo mato mesmo para acessá-la, porém achamos muito perigoso porque é um morro daqueles. Desistimos.

A questão é que para chegar até a Fragária você precisa realmente entrar no pasto, no local onde você consegue avistar a cachoeira da estrada e ir em direção a ela. É uma pirambeira danada. Uma trilha bem difícil.

Continuamos o caminho para tentar chegar à Pousada Cachoeira da Pedra, que é bem ali próximo, mas desistimos também porque ficamos com medo da chuva. Mas vale muito a pena ir até lá conhecer a cachoeira da Pedra, ela é muito bonita. É só chegar até a pousada e pagar um valor para utilizar a cachoeira.

É bom dar uma ligadinha antes para a pousada para verificar se ainda precisa avisar para usar a cachoeira não sendo hóspede de lá.

De qualquer forma resolvemos voltar!

No meio do caminho o Léo deu a ideia da gente ir a Alagoa, considerada a terra do queijo artesanal do Brasil, com queijos premiados dentro e fora do Brasil.

Alagoa é uma cidade de cerca de 3000 habitantes e vem se destacando no cenário brasileiro pelo queijo. Ela fica a 40 kms de distância de Itamonte e nós já estávamos na metade do caminho.

A estrada até lá é em bloquete, porém em alguns pontos eles se foram e é estrada de chão mesmo. Nada muito ruim.

Fomos direto à loja mais famosa da cidade: Queijo D’Alagoa.

A loja é bem fácil de encontrar pelo Google. Ela fica na rua principal da cidade e tem uma torre Eiffel bem na frente. Experimentamos alguns queijos, o azeite e fizemos algumas compras. Depois resolvemos ir na cachoeira do Facão, que é praticamente do lado da estrada.

A trilha a ser percorrida para chegar nela é de apenas poucos metros, e também colocando no Google é fácil se guiar.

Indo em direção a Itamonte a Cachoeira do Facão fica em uma entrada à direita. É só descer um pouco na estrada de terra e do lado direito tem uma placa bem pequena mostrando a entrada da trilha da cachoeira.

Infelizmente a cachoeira estava com muita água devido às últimas chuvas e, por isso, não entramos nela. Só molhamos o pé mesmo.

Alagoa também é uma das portas de entrada do Parque Estadual da Serra do Papagaio. Resolvemos não ir porque a estrada é toda de chão e as condições não pareciam as melhores.

Outra coisa que a gente queria ter feito mas acabamos desistindo era subir o pico do Santo Agostinho, também conhecido como Pico do Garrafão, que possui 2539 m de altitude.

Para chegar nele é só continuar na estrada voltando para Itamonte e seguir à direita no ponto determinado (no Google tem o caminho certinho).

Existe um segundo caminho que é a estrada rural que liga o Bairro Engenho ao Bairro Garrafão, onde há um asfalto ecológico em parte da estrada. Mas no Google é o primeiro caminho que você vai encontrar. Seria bom perguntar a algum morador algumas informações.

De lá de cima do Pico Santo Agostinho é possível ver toda a região, o pico do Papagaio e a região da Serra Fina. Nos relatos dos blogs de viagem não vi ninguém utilizar um guia para chegar lá.

Se fosse hoje provavelmente não iríamos andar tanto até a Fragária. Ao longo caminho existem cachoeiras mais próximas e mais fáceis de chegar. Há a Usina dos Bragas, a cachoeira da Conquista e a cachoeira do Escorrega. Infelizmente não fizemos nenhuma delas, mas ficamos com vontade.

turismo
Para a cachoeira da Fragária ficamos só com essa vista mesmo, senão era descer a pirambeira.
Minas Gerais
Loja do Queijo da Alagoa. Imperdível!
Para chegar a Cacheira do Facão é só percorrer a trilhazinha bem do lado da placa minúscula. Cuidado para não não passar a placa. Nós passamos e fomos parar lááá na frente.
O carro é só deixar ali do lado, na estrada mesmo.
Mas que a cachoeira é bonita ela é!

3° dia: Day use no Instituto Alto Montana

O Instituto Alto Montana é um lugar extremamente diferenciado na região de Itamonte. Ele era um luxuoso hotel que funcionou desde a década de 50 na região, até que em 2007 essa atividade foi cessada quando a propriedade foi adquirida pelos novos donos e transformada em RPPN, com dedicação total à proteção da fauna e flora silvestre.

Porém a estrutura antiga continuou lá e nos últimos 3 anos os responsáveis pelo projeto resolveram utilizar essa parte para a hospedagem de turistas.

A diária segue mais ou menos o preço da região e você tem a opção de levar a sua roupa de cama (diária sai mais barata) ou não. Lá não tem opção de café da manhã, no entanto, tem diversas cozinhas industriais que o hóspede tem a disposição. Além do que, todas as cachoeiras e trilhas estão ali todos os dias para apreciação.

Nós não nos hospedamos lá e por isso fizemos o Day Use. O ingresso para passar o dia custa R$ 20,00 por pessoa e você pode ficar o dia todo. Em janeiro de 2021 estava funcionando de quarta a domingo, por isso nós não conseguimos entrar no dia anterior, como eu contei lá em cima.

Então, é sempre bom dar uma olhadinha no site para conferir as informações ou até enviar um e-mail ou ligar para a equipe que eles informam rapidinho.

Chegando ao Instituto fomos até a recepção e fomos recebidos pelo Vinícius, um rapaz muito simpático e que nos explicou tudo sobre as trilhas e como a gente poderia aproveitar melhor as cachoeiras.

As trilhas são diferenciadas por cor, sendo que a trilha azul, que é o Circuito Pinhão Assado, tem 3,5 kms, a trilha verde, que é o Circuito Casa Branca, tem cerca de 11 kms, e a trilha laranja, que é o Circuito Alto dos Ivos, com cerca de 21 kms.

O Vinícius nos orientou a fazer o Circuito do Pinhão Assado, já que chegamos lá já era quase 10:00 horas. Foi o que fizemos.

Todas as trilhas são auto guiadas com sinalizações de fitas na cor de cada uma.

O circuito que fizemos foi bem tranquilo. É uma trilha bem fácil e fizemos ela bem rápido e aproveitando todas as cachoeiras. Foram três ao longo do percurso. Lindas e com água bem gelada. Dava até para a gente ter feito o circuito Casa Branca.

Além dessas tem outras trilhas, como a que dá acesso a rampa de voo livre e algumas outras menores.

Amamos conhecer o lugar. Para quem tem criança e viaja com a família é um lugar perfeito, de fácil acesso. A primeira cachoeira está a poucos metros da recepção, então se você não quer andar muito, a maior cachoeira está ali, super a mão. Fora que as trilhas são bem fáceis de fazer.

Na terça-feira o Instituto estava fechado para visitação. Uma pena! Verifique antes de ir se o local estará aberto
Entrada do Instituto Alto Montana com a placa indicativa de todas as trilhas e locais que podem ser percorridos.
Estrutura antiga do hotel: toboágua. As famílias costumam ficar nessa área.
Uma das cachoeiras que conhecemos na trilha.
A cachoeira mais famosa do Instituto Alto Montana. Provavelmente porque é a maior e do lado da recepção.

4° dia: Travessia Couto-Prateleiras no Parque Nacional de Itatiaia (PNI)

Nosso último dia de passeio seria no PNI. Faríamos a travessia Couto-Prateleiras guiados pela galera da Itahigh.

O PNI foi o primeiro parque do Brasil, criado em 1937 por Getúlio Vargas. Ele é dividido em duas partes: a parte baixa, com entrada em Itatiaia, no Rio de janeiro, onde tem muitas cachoeiras, e a parte alta, com entrada em Itamonte, em Minas. É nessa parte que estão as grandes travessias e os picos do parque.

A princípio nossa ideia era ir sem guia e com carro próprio para o PNI. No dia que chegamos em Itamonte fomos até a Garganta do Registro comer algo e por lá vimos uma placa de uma empresa que fazia os passeios na região. Tiramos foto e entramos em contato por whatsApp depois que vimos muita gente falar que era melhor contratar alguém para guiar.

A empresa é a Itahigh. Eles são mais novos na região. Chegaram até ali vindos do Rio depois de instalar uma linha de highline (uma modalidade de slackline). É um pessoal muito legal. Nos responderam com rapidez tudo o que perguntamos. São pontuais e pacientes.

Não é difícil achar guias pela região. Em todo lugar tem alguém que tem o número de alguém que faz o guiamento. Nós decidimos ir com a Itahigh e eles nos indicaram fazer a travessia Couto-Prateleiras, que tem aproximadamente 12 kms.

Pagamos R$ 150,00 pelo guiamento e R$ 40,00 pelo transfer até a portaria do parque. Acho que foi um dos valores mais bem investidos da nossa viagem.

Achamos o parque bem difícil de ir sozinhos, o caminho não é nada óbvio. Não tem muitas placas e a maior parte da trilha está sinalizada com totens de pedra. Isso mesmo, aqueles amontoados de pedra que as pessoas deixam pelo caminho.

Para chegar até a portaria é preciso percorrer 14 kms de um caminho terrível. Nosso carro não aguentaria.

Em 2018 foi feito um asfalto novinho por ali, mas com tanta chuva e a qualidade do asfalto que não deveria ser muito boa, tudo foi arrancado e o caminho ficou pior do que se fosse estrada de chão. Inacreditável!

Levamos mais de meia hora para percorrer os 14 kms ruins e chegar até a portaria. Fomos os primeiros.

Mostramos os ingressos que compramos pela internet no dia anterior, na página do parque (custaram R$ 18,00 por pessoa) e entramos. Um detalhe, o ingresso é para atrativos não limitados. Segundo o guarda do PNI a compra de ingressos para atrativos limitados é somente para quem vai fazer alguma travessia daquelas bem grandes.

Se você não conseguir comprar o ingresso pela internet os guardas tem um limite diário que eles podem vender na entrada, mas se você for pagar no cartão pode ter um certo problema com o sinal da internet, que lá em cima é bem ruim.

O estacionamento custa R$ 16,00 para carros, R$ 10,00 para motos. No nosso caso foi pago pela empresa que contratamos. Maiores de 60 anos e crianças menores de 12 anos não pagam.

Se você precisar ir no banheiro, aproveite, porque é só ali na portaria.

Vi em algumas postagens sobre o PNI que em alguns dias, como os fins de semana e feriado, ele fica muito cheio e a fila de carro é imensa. Algumas vezes demora-se mais para entrar do que para fazer a trilha. Por isso, é bom chegar cedo.

Demos bastante sorte, no dia que estivemos no PNI não choveu e o sol não estava forte. Estava um clima muito agradável, perfeito para a caminhada.

A travessia foi uma das coisas mais legais que já fizemos. Ela tem uns pontos mais difíceis e que exigem mais da pessoa, como na subida do Morro do Couto, mas na maior parte foi tranquila.

Estávamos com dois guias e mais uma senhora. Eu poderia dizer que o caminho para ela foi tranquilo mas não foi. Ela sofreu bastante com a caminhada, mas terminou o percurso. O problema ai não foi a idade mas a falta de condicionamento dela.

Para quem estava acostumada a fazer pequenas caminhadas no asfalto ou em estrada de chão o PNI é muito diferente disso, e ela sentiu a diferença. No PNI é preciso caminhar sobre pedra o tempo todo e subir em muitas delas.

Na volta da travessia ainda passamos pela Cachoeira das Flores, que fica perto do Abrigo Rebouças. Ninguém teve coragem de entrar nela. A água é extremamente gelada.

Para quem gostaria de uma experiência bacana mas está um pouco sem grana, fora do parque, antes da portaria, mas ali mesmo naquela estrada ruim que leva até a portaria, tem duas trilhas mais fáceis e que não precisam de guia: é a trilha da pedra furada, que fica à esquerda, de quem está indo para o PNI, e a trilha da pedra do Camelo, que fica a direita.

Para esta última tem placa informando a entrada da trilha, já a trilha da primeira não tem placa.

A trilha da Pedra Furada tem cerca de 6km e é considerada bem fácil. As pessoas costumam ir ver o pôr do sol nela. A Pedra do Camelo também é bem fácil de subir, geralmente até crianças vão neste passeio.

Estrada para a portaria da parte alta do PNI, Conhecida com Posto Marcão. O asfalto se foi e só ficou uma buraqueira danada.
Não é qualquer carro que percorre todos os quilômetros até a portaria e chega lá inteiro.
A portaria, o Posto Marcão.
Mas é cada vista que tem esse lugar. O Pico das Agulhas Negras.
Ah! As Prateleiras! No final as nuvens saíram e conseguimos ter a visão delas. Incrível!

Estas foram nossas dicas de Itamonte. Você pode conferir nossos gastos na cidade na tabela abaixo e outras dicas de Itamonte em nosso outro post.

PLANILHA DE CUSTOS DA VIAGEM – 17/01 A 22/01/2021 – Valores para duas pessoas
GastosValor (R$) – BRL
hospedagem no hostel Picu – 5 diárias700,00
lanche na barraca da Verinha17,00
vinho35,00
compras na barraca da Verinha e café da manhã51,00
almoço no restaurante Sobradinho84,00
café da manhã na barraca da Verinha28,00
compras de queijos e azeite em Alagoa155,00
lanche no príncipe da laranja13,00
abastecimento com etanol100,00
jantar no Barrica88,00
café da manhã na barraca da Verinha23,00
day Use no Instituto Alto Montana40,00
compras no centro da Itamonte14,00
lanche no príncipe da laranja13,00
compras no supermercado13,35
lanche em Itamonte11,00
compras na barraca da Verinha20,00
ingresso do Parque Nacional de Itatiaia36,00
guiamento e transfer da agência Itahigh380,00
jantar no bistrô e hamburgueria70,00
café da manhã na barraca da Verinha22,50
compras na barraca da Verinha271,50
abastecimento com etanol70,00
Total2.255,35

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