Um dia, ao final de 2016, zapeando por entre os lugares desse Brasilzão encontrei a Chapada dos Veadeiros com suas cachoeiras e paisagens incríveis. Me apaixonei de cara, principalmente pela cachoeira de Santa Bárbara com sua água azul turquesa. Pronto, fiquei alucinada pelo lugar e queria ir para lá. O Léo rapidinho embarcou na ideia e resolvemos marcar a viagem para março de 2017. Montamos o roteiro da forma mais perfeita que conseguimos e assim fomos.

Para quem curte trilha, natureza e banho de cachoeira a Chapada dos Veadeiros é a melhor pedida!

Iniciando a aventura

Compramos as passagens de avião de Vitória (ES) para Brasília – BSB -, deixamos reservado o hotel em Brasília por uma noite quando estivéssemos voltando para casa e fizemos a reserva do carro. E assim, na sexta-feira dia 10 de março pegamos estrada depois do trabalho rumo à Vitória. Passamos a noite lá e no outro dia cedo pegamos nosso voo para Brasília.

Chegamos em BSB em torno de 08:00h, pegamos o carro da Unidas que ia nos levar na loja onde iriamos pegar nosso carro. Até ai tudo ótimo só que…não foi tão fácil assim! Tivemos muitos problemas nesse processo e ficamos umas duas horas lá na loja. Ou seja, perdemos muito tempo o que nos atrasou lá na frente. Mas enfim, depois de muita conversa e de passar muita raiva saímos com nosso March 1.0.

Não achávamos que ele ia dar conta, mas, foi um carro ótimo, econômico e foi em todas as estradas terríveis da chapada. Ele realmente não nos deixou na mão.

Sobre o nosso roteiro: ele contemplava a Chapada dos Veadeiros e o Parque Estadual de Terra Ronca. Chegando lá na chapada algumas coisas deram errado e tivemos que mudar os planos, sendo assim, Terra Ronca ficou para outra vez.

Chegando na Chapada dos Veadeiros

Seguimos viagem em direção ao distrito de São Jorge com uma parada estratégica em Alto Paraíso de Goiás para tirar dinheiro no banco, afinal em São Jorge não tem banco, e fazer compras no supermercado.

Alto Paraíso é uma cidade bem diferente daquelas que estamos acostumados, é muito mística. Na entrada tem diversas placas da Praça do Ar, da Água, da Terra, de todos os elementos. Por ser cortada pelo mesmo paralelo de Machu Pichu e por estar em cima de uma enorme placa mineral as pessoas acreditam que é um lugar protegido, fora isso, é a cidade mais bem estruturada da região da chapada.

Pois então, depois do tempo perdido em BSB por causa do carro outra surpresa: o Banco do Brasil da cidade havia sido explodido a pouco tempo e, por isso, não estava funcionando. Tivemos a informação de que podíamos sacar no caixa eletrônico da Caixa, só que, tentamos e apenas conseguíamos retirar RS 2,00. Bem ali em frente tinha um caixa do Itaú e me lembrei que tinha levado o cartão deste banco, e foi a salvação. Consegui retirar o dinheiro, fizemos compras e seguimos em direção a São Jorge.

A distância gira em torno de 31 kms seguindo uma estrada asfaltada e uma paisagem maravilhosa. No plano inicial já iríamos passar pelo vale da Lua que fica a uns 5 km antes da entrada de São Jorge, mas como atrasamos em BSB não podemos ir.

Procurando um lugar para se hospedar em São Jorge

Chegamos a São Jorge já de tardezinha e ainda fomos procurar um lugar para ficar. Eu já tinha olhado algumas coisas pela internet, portanto já tínhamos alguns nomes e fomos atrás deles. Não gostamos de nada. Achamos tudo muito caro. As pousadas são muito caras (e ainda olhamos as mais baratas): os quartos são bem pequenos, simples e já custam R$ 140,00, R$ 170,00 a diária. Tentamos um hostel também, mas foi outro que a estrutura não agradou. Chegamos a entrar em um, percorremos a casa inteira, a TV estava ligada e ninguém veio nos atender. Percebemos que em São Jorge as pessoas tem um quintal grande, colocam um banheiro ali, uma lâmpada e daquele espaço fazem um camping. Dividem a própria casa de qualquer jeito e dali abrem um hostel.

Tentamos alguma informação no CAT (centro de atendimento ao turista) e lá só estava um adolescente que sabia menos que nós e como já era tarde e estávamos cansados para ficar procurando, resolvemos ficar no camping Taiuá, que é um dos mais famosos de lá e bemmmm mais em conta.

O lugar é exatamente como nas fotos da internet, tem estrutura de banheiros e cozinha, os atendentes foram muito simpáticos e nos ajudaram muito também, inclusive modificamos nosso roteiro a partir de algumas informações que obtivemos com eles. Se você não tiver barraca eles alugam o espaço para você com barraca, colchão, travesseiro e roupa de cama em um preço bem bom.

Montamos nossa barraca e logo já veio a preocupação: ela era daquelas bem comuns, de supermercado mesmo, que o Léo usava para ir nos encontros de motociclistas, ou seja, era das poucas vezes que a barraca iria para um camping ao ar livre de verdade. Como eu já tinha acampado algumas vezes, sabia que se desse um pingo d’água a gente passaria aperto.

À noite demos uma volta pelo vilarejo. Um lugar bem pequeno mesmo e com pessoas muito amistosas. À primeira vista é um pouco estranho. Várias casas e outros locais possuem umas pinturas com umas figuras bem esquisitas. No camping também tinha umas pinturas assim nas paredes do banheiro. Voltamos cedo para dormir porque no outro dia iriamos fazer trilha no parque. Nessa noite choveu, muito! Ficamos acordados um bom tempo para verificar a situação da barraca, mas para nossa surpresa ela aguentou firme a chuva de canivete que caiu naquele lugar.

Uma coisa importante: ali naquela região não existe chuvinha, chuvisco ou coisa parecida, pelo menos na época que estivemos ali. Chuva é chuva de verdade, não existe meio termo!

O parque Nacional da Chapada dos Veadeiros

Depois da chuva da noite o dia amanheceu lindo, com sol. Acordamos cedo e nos preparamos para ir para o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros. O parque funciona de terça a domingo. E como era domingo começamos por ele. O parque possui 4 trilhas muito bem sinalizadas, sendo que, uma é travessia e essa não estava aberta naquele período, então tínhamos a possibilidade de fazer 3 trilhas: dos Saltos, dos Cânions e da Siriema, sendo que esta última nem tínhamos cogitado de fazer por ser a mais curta e considerada a menos bonita de todas.

O parque não cobra entrada dos visitantes, mas vem se preparando para isso, embora ninguém soubesse responder quando começaria a valer essa cobrança e possui limite de visitantes por dia. Por sinal esse controle é muito bem feito. Você precisa dar seu nome na entrada e o número de pessoas que está no grupo. Na saída procuram o nome, veem se todos do grupo estão ali e dão baixa.

Mais informações sobre o parque podem ser conferidas no site do ICMBIO.

A Trilha dos Saltos

Resolvemos fazer a trilha dos saltos e se desse tempo faríamos a trilha dos cânions (existe a possiblidade de fazer as duas). Esta é a trilha com maior nível de dificuldade e realmente não é muito fácil. Tem alguns pontos que são bem pesados com uma descida extrema em meio a alguns degraus que depois se torna uma boa subida, mas é a trilha mais bonita. Começamos pelas Corredeiras. Essa parte é bem tranquila, as Corredeiras são bem relaxantes, vale muito a pena. A maior parte das pessoas vão direto para os saltos e às vezes nem conhecem essa parte. Estivemos ali quase que sozinhos, quando já estávamos indo embora chegou outro casal. Dali partimos para os Saltos. Ai sim, trilha trash!

Corredeiras

Os saltos são maravilhosos e por termos visitado ainda no período de chuvas tivemos uma visão das cachoeiras cheias de água, com quedas lindíssimas. Vi fotos de amigos que foram em época de seca e não estavam tão bonitas. Ou seja, a chuva nos atrapalhou em muitas coisas, mas ajudou a termos as melhores visões.

Cachoeira do “Saltos”

Pois bem, começamos a partida de volta com a intenção de fazer a trilha dos cânions. Chegamos a fazer uma parte dela, mas já estava armando chuva e começou a pingar. Desistimos e voltamos. No caminho para o camping começou a chover e não teve jeito, molhamos da cabeça aos pés. Chegamos lá exaustos, molhados, loucos por um banho. O resto do dia não parou de chover e fomos comer a noite em um restaurante bem gostoso e barato, bem ali no centrinho do vilarejo que serve rodizio de massa, mas também tem a possibilidade de uma refeição. Optamos pela refeição e saímos de lá muito satisfeitos. Em outro dia pediríamos uma refeição só para nós dois.

Dia perdido pela chuva

Levantamos pela manhã na segunda-feira e nada da chuva parar. Esse dia realmente não conseguimos fazer nada, choveu o dia todo. Apesar de ter parado em alguma hora da tarde as cachoeiras estavam cheias demais para irmos em alguma. Ou seja, a única coisa que dava para fazer era dormir mesmo e assim fizemos.

Cachoeira do Segredo

Na terça o dia amanheceu com sol, o que foi ótimo, porque tínhamos comprado a entrada para a cachoeira do Segredo, a segunda maior da região em queda com 115 metros, perdendo em altura somente para a cachoeira dos Saltos, do parque. Compramos a entrada da cachoeira em uma agência no vilarejo, pois ela fica em uma propriedade particular. Mas descobrimos que se você pegar o carro e ir para lá terá um funcionário para pegar o dinheiro e entregar a pulseirinha de entrada dos visitantes. Outro ponto também é que não é necessário guia para chegar na cachoeira. A trilha é muito boa e fácil de seguir. Talvez tempos atrás até seria preciso, mas atualmente já estruturaram muito bem o local.

Para chegar lá é bem fácil, estrada de chão, e tem placas direcionando o local. Acho que chegamos em torno de 09:00 horas ou menos, fomos os primeiros, o que foi ótimo. Quando chegamos na cachoeira não tinha ninguém, só a gente, por isso aproveitamos bem e quando já estávamos descendo foi que outro casal estava chegando. Descemos mais um pouco e aproveitamos um poção formado pelo rio. Aliás, acho que ficamos mais ali do que na cachoeira, super ótimo o lugar. Voltamos e descansamos porque depois já foi armando chuva e choveu a noite.

Trilha para cachoeira do Segredo
Cachoeira do Segredo
Poço formado pelas águas da cachoeira

Aqui vale um adendo: quando acordamos na terça de manhã algumas pessoas que estavam no camping vieram nos perguntar se o March branco lá fora era nosso, porque ele havia dormido com o vidro aberto. Chegando lá ficamos com aquela cara: poxa, roubaram nossas coisas que estavam aqui. O atendente do camping achou estranho e falou que devia ser alguém de fora porque ali não existia roubo. Okay, bola para frente! Só que quando chegamos na entrada da cachoeira do segredo e abri o porta-luvas, vi ali dentro uma sacola com todas as nossas coisas guardadas. Ou seja, uma pessoa viu o nosso carro com o vidro aberto a noite, se deu o trabalho de pegar as nossas coisas que estavam no banco de trás e na frente e guardou em uma sacola no porta-luvas. Sensacional!

Vale da Lua e Trilha do Mirante da Janela

Na quarta-feira acordamos com um pouco de chuva e já veio logo aquele desânimo. Mas decidimos aproveitar mesmo assim porque senão não faríamos nada. A esta altura nosso planejamento inicial já tinha ido embora, já tínhamos decidido não ir mais para Terra Ronca e ficar só na chapada mesmo.

Então pegamos o carro e fomos para o Vale da Lua. Este lugar fica a 5 kms de asfalto do distrito, sentido a Alto Paraíso e depois é só pegar uma estradinha de terra à direita por mais 3 kms (tem placa indicando o local). Ali é uma área com melhor estrutura. Você paga a entrada e percorre a trilha de mais ou menos 500 metros de nível bem fácil. A formação rochosa é bem curiosa, com planos bem retorcidos que forma crateras, e por isso ganhou o nome de Vale da Lua. Como tinha chovido bastante não dava para tomar banho ali, porque estava bem perigoso, mas quando não está chovendo há a formação de uma prainha e algumas piscinas naturais formadas entre as crateras. Sendo assim, foi um passeio bem rápido.

Vale da Lua

Voltamos para o distrito, compramos alguma coisa para comer no supermercado e seguimos em direção à trilha do Mirante da Janela. É só seguir a mesma estrada que dá acesso ao parque e na bifurcação seguir a esquerda, justamente porque a direita chega-se no parque nacional. Não tem nada dizendo que você chegou. Você simplesmente dirige na estrada principal de terra até chegar a um grande descampado, uma área aberta parecendo mesmo um estacionamento. Ali no cantinho a frente há uma trilhazinha.

Essa é a trilha do Mirante da Janela! Por acaso tinha uma madeirinha pequena no começo dessa trilha escrito janela. Seguimos por essa trilha até chegar numa casa, ou melhor, abrigo, do senhorzinho que toma conta do lugar (não me recordo o nome dele). É um senhor bem simpático, ofereceu café para nós, explicou como chegar até o mirante da janela, mas é difícil entender o que ele fala. Realmente é uma trilha um pouco difícil em todos os quesitos: mal sinalizada, com altos, muito altos e baixos. Portanto, tente prestar o máximo de atenção à explicação do senhor, pague a ele a entrada do lugar e siga em frente.

A princípio a trilha é bem fácil, chegamos em uma cachoeira, que só existe na época chuvosa, a Cachoeira do Abismo, então quando estivemos lá, ela existia. Depois da cachoeira você começa a descer porque está no alto do morro e precisa atravessar um vale. É uma descida doída!

Vista superior da Cachoeira do Abismo

Quando alcançamos o vale começou a chover, daí ou a gente voltava ou continuava. Como a cachoeira já devia estar com muita água e não conseguiríamos atravessar resolvemos continuar. Quando o vale acaba você precisa subir o morro onde está o mirante da janela, e é na rocha mesmo. Outra subidinha difícil. Em alguns pontos colocaram tábuas e escadinhas para ajudar, mesmo assim ainda é tenso. Já no meio da subida encontramos um local para nos abrigarmos um pouco da chuva, ficamos ali um tempinho até bom, acho que uns 30 minutos. A chuva passou um pouco e resolvemos continuar.

Chegamos lá em cima e a visão dos saltos era espetacular! As cachoeiras lotadas de água estavam lindas. Mas mesmo assim precisávamos achar o mirante da janela, aquela formação de pedras que dava a visão para os saltos. É isso mesmo! Você não chega lá e o mirante está ali, não, é preciso procurar.

Quando estávamos subindo umas pessoas estavam descendo e avisaram isso para nós. Disseram que ficaram lá muito tempo procurando o mirante e outros desceram sem encontrar mesmo. O que dificulta mais é que tem varias trilhazinhas lá em cima que podem fazer você tomar o caminho errado. Seguimos o conselho do pessoal que havia descido e passado por nós, pegamos a trilha mais a direita e mesmo assim foi difícil. O mirante fica atrás de umas grandes pedras, por isso não é possível ter a visão dele. Encontramos por acaso quando eu estava enrolada no mato uma hora e olhei para o lado e vi as pedras em formação triangular. Realmente é lindo.

Visão da Cachoeira dos Saltos pelo mirante
Mirante de Janela

Essa foi a trilha mais difícil que fizemos na região e também não usamos guia. Claro, com guia tudo seria muito mais fácil, mas, preferimos ir sozinhos. E se em todos os locais colocassem placas ou fizessem setas nas rochas seria super fácil achar tudo. Porém, parece que as pessoas dali mesmo vão retirando as marcações até para não acabar com o serviço de guias.

Para voltar foi bem mais fácil e ainda paramos na cachoeira para refrescar. O Léo parou na maior queda e tomou banho ali mesmo. Quando eu ia entrando e vi um bando de girinos, eu desisti. Entrei numa parte acima que não tinha esses bichos.

A noite quando fomos comer no vilarejo visitamos uma lojinha do lugar, muito charmosa que vende lembranças da região. Compramos algumas coisas e na hora de pagar vimos um cartaz sobre um voo de balão pela chapada. Fotografamos e decidimos ver qual era.

Entramos em contato com a agência Outdoor Balloning Brasil para ver a possibilidade de um voo na sexta-feira. Fomos informados que estavam montando um grupo para realizar um passeio pela manhã (na verdade começa de madrugada) para ver o nascer do Sol e não tinham para a tarde.

O preço foi um pouco salgado: R$ 600,00 para mais ou menos 1,5 horas de voo, mas resolvemos colocar nosso nome, afinal, apesar de elevar o nosso orçamento da viagem em muitos reais seria algo inesquecível. E assim ficamos em contato por toda a quinta-feira para saber se daria tudo certo.

Trilha dos Cânions e Trilha da Siriema

Na quinta-feira acordamos cedo e o tempo também não estava convidativo, mesmo assim fomos para o parque fazer a trilha dos Cânions. Não achamos ela tão ruim de ser feita, a dos Saltos é bem pior e a da Janela também, mas, não conseguimos entrar na água, pois começou a chover e o rio estava perigoso. Voltamos! Antes de sair resolvemos ir na trilha da Siriema já que estávamos alí mesmo, era algo rápido de menos de 500 metros, então fomos. Valeu a pena, conseguimos tomar um banho numa cachoeira que não dávamos nada por ela e no fim se tornou compensadora. Sendo assim, se você for no parque dê uma conferida na trilha da Siriema, a cachoeira é bem legal.

Voo de Balão

Voltamos para o camping, confirmamos o nosso voo de balão para sexta de manhã, desmontamos nossa barraca, dormimos por ali mesmo nos colchões da área de convivência e partimos para Alto Paraíso às 03:30 da manhã.

Encontramos o grupo na praça central da cidade e de lá fomos para o local onde iria partir o voo. O plano do dia seria: voo de balão de manhazinha, depois curtir as cachoeiras de Almécegas I e II e São Bento e depois partir para Cavalcante.

Fizemos o voo e foi lindo. Voar sobre a chapada é realmente incrível. Claro, os seiscentos contos sempre dão uma tristeza de lembrar, porém foram muito bem empregados.

Na volta do voo conversávamos com o guia do balão sobre onde iríamos depois dali e ele nos disse que a Catarata dos Couros valia mais a pena de ir do que nas cachoeiras. Sendo assim, mudança de planos de novo! Reconheço que eu insisti bastante e o Léo queria ficar ali nas cachoeiras planejadas, caminho de asfalto, trilha bem básica, e também muito bonitas. Passamos sobre elas no voo de balão e as imagens que registramos são lindas.

Vista aérea da chapada pelo voo de balão

Cataratas dos Couros

Fomos no CAT de Alto Paraíso e nos atenderam bem. Nos recomendaram um guia, mesmo assim resolvemos ir sem um. Tiramos fotos dos mapas que estavam ali e partimos em direção as Cataratas, em torno de 30 kms de estrada de terra, daquelas bem ruins em algumas partes.

Realmente é um caminho bem ruim, cheio de bifurcações e sem placas (como disse anteriormente, as pessoas retiram as placas). Logo no início do caminho estavam mexendo na estrada e havia montes de terra sobre ela, e claro, sem sinalização de que havia trabalho ali. Nos deparamos de repente com um monte enorme de terra em nossa frente e para desviar o Léo teve que jogar o carro para o lado, resultado: ficamos atolados na estrada.

Os caras continuaram o serviço e foram passando a máquina pelos montes, jogando mais terra sobre a gente e agravando ainda mais a nossa situação. Depois de uma meia hora ali um deles veio nos ajudar a tirar o carro para sair.

Desta forma, eu assumi o volante e fomos seguindo pelo caminho tentando acertar. Devo dizer que, por incrível que pareça, sem guia, chegamos bem longe! Seguimos sempre em frente e em uma área parecida com uma rotatória, onde deveria haver uma placa, deve-se seguir à direita. Mais a frente, porém, pensamos que tínhamos errado o caminho porque estava muito ermo e não parecia dar em lugar algum. Já íamos voltar quando veio um carro com um grande grupo, que levou um guia, e nos avisaram que estávamos certos. Nessa parte só seguimos o carro e vimos que já estávamos perto mesmo. O grupo foi até o restaurante da dona Eleusa para reservar comida para todos e o Léo também aproveitou.

Enfim, aos trancos e literalmente a barrancos chegamos lá, na Catarata dos Couros!

A entrada é muito simples. Fica uma pessoa ali da comunidade para atender e se você quiser fazer reserva do almoço eles tem um telefone que entram em contato direto com a dona Eleusa. Não precisa pagar nada, mas as pessoas sempre deixam algum trocado para o “recepcionista”.

Se você precisar trocar de roupa, assim como eu que antes estava em um passeio de balão, eles tem um lugar para isso, no entanto, pensa numa coisa bemmmm rudimentar. Bom, pelo menos me atendeu. Assim fomos em busca das cataratas. Ao descer e ver a primeira queda achei que era uma cachoeira até feita pelo homem, pelos recortes bem certinhos das pedras, mas não, é assim mesmo e é lindo.

E você continua a andar e ver as outras quedas ao longo do rio e tudo é muito inacreditável. Como estávamos sem guia fomos seguindo de espreita um casal que estava com um, mas, de repente, perdemos eles. Descobrimos que eles tinham descido a parte da cachoeira que dava para tomar banho. Essa parte não conseguimos fazer mas vimos todas as quedas que podiam ser vistas e depois tomamos banho em uma parte do rio que forma uma prainha, bem legal. E acho que foi a melhor opção porque as quedas d’água estavam muito fortes naquela época.

Sendo assim, apesar de tudo, as Cataratas dos Couros valeram super a pena, mas contrate um guia. Nós demos sorte de ter conseguido chegar até lá sem um.

Cataratas dos Couros
Cataratas dos Couros

Chegando a Cavalcante

Saímos das cataratas e fomos para Cavalcante. Um chãozinho bom.

Nesta cidade também não tínhamos reservas, só saímos com alguns nomes de hotéis para procurar e o mais legal da cidade é que lá também estava sem banco, que também havia sido explodido e a agência dos correios local ia ser transferida para outra cidade. Ou seja, a vida em Cavalcante estava muito difícil e algumas pousadas que vimos só aceitavam dinheiro vivo. O pior de tudo é que chegamos na cidade já a noite e não conseguíamos visualizar as placas de hotéis e pousadas. Tudo era muito escuro e ninguém na rua sabia informar alguma coisa. Tenso! Depois de andar bastante chegamos ao hotel do único posto de gasolina da cidade, o hotel da dona Creusa (não lembro o nome do hotel). Ficamos ali mesmo: aceitava cartão, era econômico e bem simples.

Cachoeiras Santa Bárbara e Capivara

No outro dia pela manhã acordamos na disposição de ir para a comunidade dos Kalungas para fazer a cachoeira de Santa Bárbara, a razão de toda nossa viagem. Fomos até o CAT local e fomos muito bem atendidos lá, foi o CAT mais organizado que encontramos. Também conhecemos um casal de Goiânia que topou seguir até os Kalungas e rachar o guia (nos Kalungas é obrigatório utilizar guia para acessar as cachoeiras, além de pagar entrada à comunidade). O problema foi que no caminho choveu canivete de novo, assim como a noite passada. Chegamos lá e já tinha muita gente no local esperando. Ficamos ali em torno de uma hora tentando saber o que fazer. A chuva deu uma estiada ficando mais leve e decidimos contratar um guia local e fazer o que fomos fazer. Ali conhecemos um rapaz de São Paulo que também topou rachar o preço do guia.

Contratamos um senhorzinho (não lembro o nome dele) bastante experiente. Pelo que percebi é um dos mais velhos e experientes do local e assim fomos. Para chegar até lá só de carro traçado até o pé da trilha e assim fomos em uma caminhonete bem velha que pagamos por pessoa até o comecinho da trilha. Tivemos que atravessar o rio duas vezes para chegar até a cachoeira e como a chuva que caiu antes foi bem forte o rio estava bem cheio, porém conseguimos atravessar bem. Andamos mais um pouco e chegamos lá. Decepção total!

Cachoeira de Santa Bárbara

Como tinha chovido muito havia bastante sedimentos suspenso no rio e, por não ter sol não havia luz para refletir na água, ou seja, nada de água azul turquesa e sim uma cachoeira qualquer com água suja.

O guia nos disse que em períodos de férias e feriados o local fica lotado e muitas vezes eles tem que limitar o tempo em que as pessoas podem ficar na cachoeira para que todos possam desfrutar um pouco dela.

Estivemos lá num sábado comum e mesmo com chuva estava bem cheio de visitantes.

Descemos a Santa bárbara e fomos para a outra cachoeira, a Capivara. Esta sim podemos desfrutar bastante. A queda é linda. A trilha é uma descida que depois vira uma boa subida e passa por duas vezes pelo rio de novo.

Cachoeira da Capivara

A esposa do senhor de Goiânia que estava no grupo com a gente acabou torcendo o pé na descida e se machucou feio. A presença de um guia experiente fez muita diferença. Tivemos que transportá-la em uma rede improvisada e cada um foi ajudando de algum jeito. O pior foi para atravessar o rio de novo na volta.

Há mais cachoeiras na comunidade Kalunga, mas não voltamos lá. Se alguém puder voltar pode conhecer locais bem bacanas.

Nesse dia à noite fomos comer em um local chamado cervejaria Aracê. Legal demais. É uma cervejaria de propriedade de um chileno, o Sr. Manolo, no meio do nada, a 1 Km de Cavalcante, que serve pratos deliciosos. A cerveja produzida lá também é ótima, além de ser um local que aceita cartão.

Rio da Prata

No sábado à noite não choveu e o dia amanheceu até bonito. Claro que não era aquele sol maravilhoso mas estava firme. Decidimos ir no rio da Prata (local que nos foi indicado no camping Taiuá em São Jorge por um dos recepcionistas).

Voltamos ao CAT e lá conhecemos um casal que queria ir na cachoeira Santa Bárbara. Falamos com eles que tínhamos ido no dia anterior e a cachoeira estava com cor de terra e não valia a pena, porém eles queriam mesmo assim. O guia não querendo perder serviço disse que nos levaria a todos no rio da Prata, ensinaria o caminho e eu e o Léo voltávamos sozinhos e que ele ia com o casal para a cachoeira Santa Bárbara. E assim foi feito!

O caminho para o rio da Prata é o mesmo para a comunidade dos Kalungas, ou seja, a mesma estrada esburacada e difícil do dia anterior. A única diferença é na bifurcação: à direita você entra para a comunidade e continuando o caminho à esquerda vai para o Rio da Prata.

Devo dizer que se não fosse a necessidade de virar a direita em um momento do caminho num alto de serra não teria necessidade de guia, mas assim como em outros locais retiraram a placa.

Chegamos todos, passamos a primeira cachoeira só para ver, eu e Léo voltaríamos nela depois sem os outros e sim, a cachoeira é maravilhosa. Andamos mais um pouco e atravessamos o rio e estávamos na segunda que não dá muito para tomar banho. Logo chegamos na terceira e na quarta. Nesta última tomamos um banho daqueles. Logo o casal e o guia se foram. O guia nos explicou como chegar a quinta cachoeira e nos fez um alerta sobre a chuva que estava armando, que se viesse de um certo lado teríamos que sair correndo porque o rio encheria e não poderíamos mais atravessar.

Ficamos mais um pouco na quarta cachoeira e depois decidimos não ir até a quinta cachoeira (ficamos com medo da chuva). Dessa forma, chegamos até um poço que tínhamos visto no caminho e ali aproveitamos bastante o banho. Na primeira cachoeira tiramos algumas fotos e ficamos ali admirando muito o lugar mas não chegamos a entrar. Voltamos para o hotel depois de um dia bem aproveitado. No caminho podemos ver a chuva que caia sobre a cidade.

Cachoeira do Rio da Prata I
Cachoeira do Rio da Prata II
Cachoeira do Rio da Prata III
Cachoeira do Rio da Prata IV

Fazenda Veredas e Cachoeira do Lava-pés

No outro dia, segunda-feira, decidimos ir até a Fazenda Veredas para fazer as cachoeiras que tem no local.

É bem fácil chegar até lá. A estrutura do local é ótima e dá para ir de carro pela maior parte das trilhas. Começamos a subir com nosso Marchzinho 1.0 e apesar de ter ido um bom pedaço do caminho uma certa hora tivemos que deixar ele e ir a pé, afinal, a chuva dos dias anteriores deixou a estrada de terra bem ruim.

De todas as cachoeiras da fazenda só conseguimos entrar em uma e para ir para as outras teríamos que atravessar o rio e o tempo não estava ajudando. Começou a chover muito e tivemos que ir embora. Decepção total!

No caminho de volta parou de chover e estávamos chateados pelo passeio frustrado quando me lembrei que tinha visto uma placa de uma cachoeira ali, logo ao lado da cidade, na saída para Veredas. Era a cachoeira do Lava-pés. Parece que ninguém dá muita atenção a ela, todos passam “batido” pela placa e em todas as pesquisas que tinha feito para a viagem não havia visto ninguém falar dela. Dá para ir de carro um bom pedaço mas é bem tranquilo de ir a pé também. Anteriormente parece que havia no local uma estrutura para receber turistas, mas que no momento não estava funcionando e parecia desativada. Não vimos ninguém por perto e seguimos em frente a pé por uma trilha bem fácil e rápida. Com 7 minutos de caminhada chegamos até ela.

A queda da cachoeira é pequena, a água é limpa e transparente. Logo na frente da queda tem a formação de um poço ótimo para o banho. Ficamos ali um bom tempo e voltamos para o hotel revigorados.

Cachoeira do Lava-Pés

No outro dia fomos embora para BSB e pegamos um vôo para Vitória.

Apesar de todos os percalços adoramos nossa ida à chapada dos Veadeiros: as cachoeiras são maravilhosas, as pessoas são ótimas e receptivas. Nossa principal recomendação para a região é: leve dinheiro vivo, isso facilita muito.

E assim foi a viagem onde conhecemos 20 cachoeiras em 10 dias.


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